O assunto hoje são os distúrbios da tireóide! Você sabia que um desajuste na glândula pode afetar diversos aspectos da saúde feminina, e um dos mais impactados é o ciclo menstrual?
Pois é!A glândula tireoide, localizada na base do pescoço, é responsável pela produção de hormônios essenciais para o funcionamento do organismo, incluindo a regulação do metabolismo e do equilíbrio hormonal.
Quando a produção desses hormônios está desregulada, podem surgir alterações no ciclo menstrual, dificultando a ovulação e, em alguns casos, afetando a fertilidade.
Mas como exatamente os distúrbios da tireoide influenciam a menstruação? Sou a Dra. Mariana Lemos Osiro e hoje vou ajudar você a entender melhor como tudo isso funciona.
A relação entre distúrbios da tireoide e o ciclo menstrual
A tireoide produz dois hormônios principais: a triiodotironina (T3) e a tiroxina (T4), que desempenham um papel fundamental no metabolismo e na regulação hormonal.
Esses hormônios interagem com o hipotálamo e a hipófise, estruturas cerebrais que controlam a produção dos hormônios sexuais femininos, como o FSH e o LH, e consequentemente o estrogênio e a progesterona produzidos nos ovários.
Quando há um desequilíbrio na tireoide, essa comunicação é alterada, levando a irregularidades menstruais.
Hipotireoidismo e suas consequências para o ciclo menstrual
O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide não produz a quantidade suficiente de hormônios. Esse problema pode causar ciclos menstruais irregulares e outros sintomas associados ao metabolismo mais lento.
Principais impactos do hipotireoidismo no ciclo menstrual
- Ciclos menstruais irregulares: Os períodos podem se tornar mais espaçados ou ocorrer em intervalos menores do que o normal.
- Anovulação: A falta de ovulação pode ocorrer, dificultando a concepção.
- Aumento dos sintomas da TPM: Maior sensibilidade emocional, fadiga extrema e inchaço são queixas comuns em mulheres com hipotireoidismo.
Além disso, mulheres com hipotireoidismo podem ter um risco maior de abortamento espontâneo e complicações na gestação, o que torna essencial o diagnóstico e o tratamento adequado.
Hipertireoidismo e seus efeitos na menstruação
O hipertireoidismo ocorre quando a tireoide produz hormônios em excesso, acelerando o metabolismo e afetando o equilíbrio hormonal.
Como o hipertireoidismo afeta o ciclo menstrual?
- Menstruações mais leves e espaçadas: O fluxo menstrual pode ser reduzido e os ciclos podem se tornar mais longos, chegando até a amenorreia (ausência de menstruação).
- Maior risco de osteoporose precoce: A falta de estrogênio devido à irregularidade menstrual pode impactar a saúde óssea.
- Sintomas de hiperatividade metabólica: Ansiedade, insônia, palpitações e perda de peso podem acompanhar as alterações no ciclo.
Mulheres com hipertireoidismo também podem enfrentar dificuldades para engravidar e um maior risco de parto prematuro.
Distúrbios da tireoide e fertilidade feminina
Se a função da tireoide não está equilibrada, o corpo pode ter dificuldades para manter um ciclo ovulatório saudável.
Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo são distúrbios da tireoide que podem dificultar a liberação do óvulo e a preparação do útero para a implantação do embrião, reduzindo as chances de uma gravidez bem sucedida.
Além disso, a produção desregulada de hormônios tireoidianos pode interferir nos níveis de prolactina, hormônio responsável pela produção de leite, que em excesso pode inibir a ovulação e prejudicar ainda mais a fertilidade.
Sinais de alerta para um possível distúrbio da tireoide
Se você percebe que seu ciclo menstrual tem sofrido alterações inexplicáveis, vale a pena observar outros sinais comuns de distúrbios na tireoide:
- Cansaço excessivo
- Alterações de peso sem motivo aparente
- Pele e cabelos ressecados (hipotireoidismo) ou queda de cabelo excessiva (hipertireoidismo)
- Palpitações e sensação de ansiedade constante
- Intolerância ao frio (hipotireoidismo) ou calor excessivo (hipertireoidismo)
- Inchaço no pescoço (possível aumento da glândula tireoide, chamado de bócio)
Caso note esses sintomas, procure uma ginecologista endócrina para identificar que tipo de distúrbio da tireoide está lidando e, assim, encontrar o tratamento adequado.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico dos distúrbios da tireoide é feito por meio de exames de sangue que avaliam os níveis dos hormônios TSH (hormônio estimulante da tireoide), T3 e T4.
Em alguns casos, exames de imagem, como ultrassonografia, também podem ser solicitados para verificar o tamanho e a estrutura da glândula.
O tratamento varia de acordo com o tipo de disfunção:
- Hipotireoidismo: Essa disfunção costuma ser tratada com reposição hormonal, geralmente com levotiroxina.
- Hipertireoidismo: Pode ser tratado com medicamentos antitireoidianos, iodo radioativo ou, em casos mais graves, cirurgia para remoção da glândula.
Você não precisa conviver com esses incômodos!
Conviver com os distúrbios da tireoide pode ser frustrante. Alterações no ciclo menstrual, oscilações de humor, fadiga e desconfortos físicos não precisam fazer parte da sua rotina diária.
A boa notícia é que, com acompanhamento de uma ginecologista especialista, é possível restabelecer o equilíbrio hormonal e melhorar sua qualidade de vida.
O corpo dá sinais, portanto ouça o que ele tem a lhe dizer. Agende uma consulta e cuide da sua saúde! Seu bem-estar e qualidade de vida merecem atenção. 💙
Não esqueça de manter sua rotina ginecológica em dia para cuidar com carinho de você.